segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Como lucrar com se Network

Este artigo bem que poderia se intitular “Como meu tio Baptista inventou, sem querer,o networking em 1953”. Ele era primo do meu avô paterno. Solteirão convicto, morava em companhia de uma irmã, solteirona mas não tão convicta..., em uma bucólica e pequena vila no bairro de Vila Isabel, bem pertinho da casa que pertenceu a Noel Rosa, na cidade do Rio de Janeiro.Eu morava próximo e era freqüentador assíduo das peladas que aconteciam, para total desespero dos vizinhos, todas as tardes de sábado na vilazinha. Jogos do tipo “seis contra seis, cinco vira e dez acaba” . Bola ? É claro que era de meia, sempre novinha em folha. Depois das refregas, esfolados, suados e exaustos, íamos todos para a casa do tio Baptista e da tia Augusta tomar suco e comer biscoitos. Tempos bons...Em uma dessas tardes, depois do lanche, comecei a fuçar meio sem destino pelos aposentos da casa e acabei por entrar no quarto que o simpático tio chamava de escritório. Lá, perto da janela que dava para a varanda, havia uma mesa cheia de dezenas e dezenas de recortes de jornais. Reparei que os recortes estavam organizadamente colados com goma arábica (aquela em que a gente usava com um pincel, lembra?) em várias folhas de cartolina. Ao lado de cada recorte havia uma série de nomes e números de telefones. Em cima da mesa havia, também, dois aparelhos telefônicos.Bastante intrigado e absorto com aquela misteriosa descoberta, não percebi que tio Baptista havia me surpreendido naquela pequena “invasão” e me observava, silencioso, da porta do quarto-escritório. O susto que tomei foi tremendo. Refeito, não resisti à tentação de lhe perguntar o que significavam aqueles inúmeros papelinhos.Para minha surpresa ele respondeu: “Meu ganha-pão, ora!” Pacientemente, explicou-me que aquilo era seu “pequeno negócio de compra e venda”. Ou seja: ele recortava anúncios de “compra-se” e de “vende-se” publicados em três dos principais jornais que circulavam no estado da Guanabara (era assim que o estado do Rio de Janeiro se chamava nos idos de 1953). Os anúncios eram reunidos por tipo de objeto ou serviço. Tio Baptista colava os “compra-se” ao lado dos “vende-se” . Telefonava para os “vende-se” perguntando o preço pedido pelo vendedor e fazia o mesmo com os “compra-se” para saber o preço máximo que o comprador estava disposto a pagar. Percebida a “oportunidade”, tio Baptista intermediava transação.Simples e prático. O primeiro exemplo real de que tenho notícia sobre o uso lucrativo de um network !!!
Antes que você imagine que isso era apenas uma inofensiva esquisitice ou passa-tempo de um afável senhor bonachão com tempo livre para preencher, gostaria que você soubesse que o tio Baptista deixou para seus herdeiros (dentro os quais eu infelizmente não me incluí) vários apartamentos e terrenos adquiridos com os lucros do seu “pequeno negócio de compra e venda”.Esta pequena historinha serve para ilustrar as armadilhas daquilo que alguns chamam de “óbvio ululante” . No caso do Tio baptista, as dezenas de anunciantes que investiam dinheiro para anunciar a venda de algum bem ou serviço e que não se davam ao trabalho de ler os anúncios daqueles que estavam desejando adquirir justamente aquilo que eles estavam querendo vender... E vice-versa.Espero, sinceramente, que este fato não esteja se repetindo em tão larga escala 50 anos depois...A lembrança do tio Baptista e seus recortes me faz imaginar algumas alternativas potencialmente úteis que poderiam amenizar as condições adversas de vários segmentos do atual mercado brasileiro. Por exemplo:● dentre as empresas que oferecem seus produtos e/ou serviços para os mesmos segmentos em que a sua empresa atua, haveria alguma com quem você pudesse estabelecer uma parceria para reduzir custos de venda, entrega ou compras ?● se os seus clientes se tornassem mais eficientes para vender seus próprios produtos sua empresa, com certeza, venderia muito mais para eles. Por que você, em parceria com outros fornecedores destes mesmos clientes, não os treina para que eles vendem mais e melhor? Estes outros fornecedores também precisam vender mais para aqueles clientes. Logo...● quanto vale, para seu vizinho, a sua agenda de contatos pessoais e profissionais ?Quanto você estaria disposto a pagar pelos relacionamentos dele ?
● como a sua equipe explora seu próprio networking ? isso está gerando a quantidade de negócios que estes relacionamentos representam ?● o seu CRM (customer relationship management) é eficiente? Quanto esta ação representa no seu faturamento?Para concluir mais este contato semanal deixe-me contar outra pequena história, também verídica, que ilustra bastante bem a importância de saber perceber e se adaptar às mudanças e oportunidades através de melhorias no modo de ajustar o foco de um negócio.Era uma vez um pequeno empresário localizado aqui da zona sul de São Paulo. Freitas era proprietário de uma papelaria, fundada no final dos anos 80. Vendia material de escritório, suprimento para informática executava serviços de cópia.Possuía quatro empregados. Sua clientela, ampla e fiel, era constituída de estudantes de dois colégios e várias empresas e indústrias localizadas próximas à loja. Em 1999 resolveu informatizar seu negócio. No início tudo funcionava às mil maravilhas. Com o passar dos meses Freitas começou a ter problemas com equipamentos, programas, suprimentos e serviços de assistência técnica. Cada “especialista”, quando atendia seus inúmeros e desesperados chamados telefônicos, não podia atender na hora e, quando atendia, cobrava um valor acima de qualquer montante de razoável bom senso.Um belo dia, quase à beira de um provável e fulminante ataque cardíaco, Freitas conseguiu parar, respirar fundo e pensar: “Quantos outros pequenos empresários estão sofrendo o que eu estou sofrendo?”. E mais: “Será que não há um bom espaço no mercado para uma prestação de serviços com a qualidade, presteza e preço que eu necessito?” Decidido a analisar mais profundamente a viabilidade desta idéia, Freitas entrou em contato com algumas escolas de ensino de informática da região e com outros donos de pequenos negócios de varejo. Trocando idéias com professores e alunos das escolas, percebeu que havia uma excelente mão-de-obra, jovem e disposta, ávida por iniciar com seriedade a utilização prática de seus conhecimentos e sem muitas oportunidades de emprego.Criou um espaço nos fundos da papelaria, acomodou meia-dúzia de jovens técnicos em montagem e manutenção de computadores e iniciou uma experiência de divulgação boca-a-boca.Truco! O sucesso foi tão grande que, ao mesmo tempo em que via crescer as dificuldades do mercado de revenda de artigos de papelaria, Freitas dobrou a equipe técnica em seis meses de operação do novo negócio. Não é preciso dizer que a papelaria encerrou suas atividades em 2001, dando lugar ao Freitas Help Center(nome fictício que eu criei para preservar a identidade real do meu ex-fornecedor de suprimentos de escritório e, acredite, atual prestador de serviços de informática)
Ou, concluindo: você não precisa necessariamente mudar O negócio. Talvez basta mudar DE negócio. Ou vice-versa.Seu networking, quando bem administrado, pode ajudar muito!

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