sexta-feira, 23 de julho de 2010

PDM - Oportunidades à vista com Cadastros de Materiais

O remédio definitivo para confusões de troca de produtos no SCM é um sistema de catalogação, o Padrão Descritivo de Materiais (PDM) como também é conhecido aqui no Brasil, ou Master Data Management (MDM), ao redor do mundo.
Na nossa metodologia, sua implementação se inicia pela elaboração de um manual que estabelece procedimentos e ferramentas que facilitam a identificação, descrição, classificação e parametrização inequívoca de todos os materiais armazenados e controlados contabilmente em uma empresa ou cadeia de abastecimento, de forma padronizada, isto é, precisa, unificada e uniformizada. Em síntese, PDM é um protocolo de comunicação que traz diversos benefícios e oportunidades:

- Precisão na identificação dos materiais em toda a cadeia de abastecimento.
- Organizar as informações cadastrais, documentação e contratos.

- Minimizar erros operacionais, não-conformidades e devoluções.
- Conter custos operacionais.
- Sanear o capital de giro imobilizado nas empresas.
- Agilizar os processos de compras, armazenagem e atendimento.
- Viabilizar sistemas de resposta rápida.
- Melhorar a acurácia das informações.
- Melhorar a rastreabilidade na cadeia de abastecimento.
- Unificar sistemas e catálogos nas empresas de uma cadeia de abastecimento.
- Auxiliar nas incorporações e consolidações de estoques.
- Suportar compras e vendas por catálogos eletrônicos.

Em síntese os principais elementos deste sistema envolvem um manual, um modelo de taxonomia, as estruturas PDM, os procedimentos e softwares de apoio, os quais comentaremos a seguir.

1. Manual PDM: Define as políticas e regras relacionadas à manutenção do cadastro de materiais em uma empresa ou cadeia de abastecimento. Este manual esclarece os termos, nivelando o conhecimento entre os envolvidos, e relaciona todos os aspectos relevantes da catalogação, tais como centralização do cadastramento, abrangência, incorporações, homologação, saneamento dos estoques, gerenciamento de requisitos, processos para controle e auditoria, bem como responsabilidades funcionais.

· Em termos da identificação, o princípio mais importante que costumamos destacar é que “a finalidade do código é identificar, e não catalogar”, pois temos constatado que o equívoco mais usual é codificar os materiais por aplicação, no entanto aprendemos que “diferentes aplicações não determinam diferentes códigos”. Enfim, para identificar corretamente, o código deve possuir os seguintes atributos:

- Unicidade: Apenas um código para cada SKU (Stock Keeping Units, ou unidades distintas mantidas em estoque).

- Simplicidade: Deve ser fácil de compreender e utilizar por todos.

- Formato: Deve ser estruturado, de preferência com uma numeração sequencial automatizada.

- Conciso: Deve ser sucinto e objetivo.

- Expansividade: Deve suportar o crescimento das empresas usuárias.

- Operacionalidade: Deve ser prático e robusto.

- Versatilidade: Deve prever suas diversas aplicações.

- Estabilidade: Deve ser praticamente perene.

- Confiabilidade: Deve assegurar a identificação esperada.

· Em termos da descrição, é preciso normalizar seu conteúdo, estabelecendo regras de redação, tamanho máximo das descrições, abreviações, separadores, caracteres vetados, bem como um formato padronizado e processo de validação.

2. Estrutura PDM: Entende-se por estrutura PDM a relação de características técnicas obrigatórias e complementares necessárias e suficientes para descrever precisamente as SKU de um grupo de materiais. Ao definirmos uma estrutura PDM identificamos os campos requeridos e, quando aplicável, as regras de validação dos dados contidos nestes campos.

GRUPOEstrutura PDMCaracterísticas Técnicas
CHAVE
ALLEN

Formato:
Dimensão:
Tamanho:
Material:
Acabamento:
Encaixe:
Fabricante:
Referência:

L
Jogo 1,5-10MM
Curta
Aço Cromo Vanadio
Fosfatizado
Reto
Gedore
12103
Obrigatória
Obrigatória
Obrigatória
Obrigatória
Obrigatória
Obrigatória
Complementar
Complementar
LAMPADA
ALTA
PRESSAO

Tipo:
Potência:
Base:
Bulbo:
Cor:
Tensão:

Mista
250 W
E 40
Ovoide
Branca
220 V
Obrigatória
Obrigatória
Obrigatória
Obrigatória
Obrigatória
Obrigatória

As características técnicas obrigatórias servem para especificar ou caracterizar uma SKU. Adicionalmente, utilizamos as características complementares, que não distinguem uma SKU das demais, mas que servem para associar informações administrativas relevantes. Por vezes, para organizar consistentemente a enorme quantidade de informações envolvidas se torna necessário implementar algum software especializado que gerencia estes procedimentos operacionais, no local onde estas informações são homologadas.

3. Taxonomia: Para classificar o universo de materiais com que lida uma ou diversas empresas se faz necessário montar uma “árvore PDM”. A arvore PDM é o resultado do processo de agrupamento de SKU baseado em critérios de similaridade, tais como a natureza intrínseca (características técnicas) mais relevantes daquele grupo.

Relação de Tipos, Grupos, Sub-grupos e Famílias de Materiais

Taxonomia de Materiais
= f (Natureza intrínseca)

A - Materiais Físicos
- Mecânica
1 - Máquinas e Equipamentos
1.1 - Ferramentas
1.2 - Equipamentos Industriais
1.3 - Equipamentos de Movimentação
1.4 - Equipamentos de Armazenagem
1.5 - Veículos Rodoviários
2 - Materiais
2.1 - Metálicos
2.2 - Materiais não-metálicos
2.3 - Abrasivos
2.4 - Elementos de Fixação
2.5 - Materiais para Embalagem e acondicionamento
3 - Energia
3.1 - Geração de energia
3.2 - Transmissão de energia
3.3 - Sistemas de frenagem
4 - Fluxo (cinemática)
4.1 - Hidráulica
4.2 - Pneumática
5 - Refrigeração
6 - Peças
6.1 - Rolamentos
6.2 - Mancais
6.3 - Peças Automotivas
6.4 - Peças específicas de fabricantes exclusivos
- Elétrica
1 - Eletricidade e Eletro-técnica (alta tensão)
2 - Eletrônica
- Ótica
- Civil
1 - Insumos
2 - Estruturas
3 - Edificações
4 - Sanitários
5 - Vedação e calefação
- Tecnologia da Informação

1 - Telecomunicações
1.1 - Telefonia
1.2 - Redes
2 - Harware
2.1 - Computadores
2.2 - Acessórios
3 - Software
4 - Instrumentação (controle de processo)
5 - Elementos de sinalização

6 - Fotografia

B - Insumos
- Materiais Auxiliares
- Limpeza e Conservação
- Gêneros Alimentícios e Bebidas
- Higiene pessoal
- Material de Segurança
- Vestuário
- Sucata


C - Materiais Químicos
- Inorgânico
- Orgânico
- Combustíveis
- Lubrificantes
- Óleos
- Graxas e Cêras
- Tintas e Vernizes
- Adesivos
- Selantes
- Material para Laboratórios


D - Serviços
- Assessoria Jurídica
- Assessoria Contábil
- Assessoria Comércio Exterior
- Serviços Mercadológicos
- Serviços Administrativos e auxiliares
- Consultoria Técnica
- Tecnologia da Informação
- Courier
- Procurement
- Treinamento
- Logística (movimentação e armazenagem de materiais)
- Utilities
1 - Limpeza
2 - Segurança
3 - Alimentação
4 - Serviços de Manutenção
5 - Infra-estrutura
- Projetos e Obras


E - Administrativo
- Livros e periódicos
- Materais para escritório / expediente
- Material de promoção
- Mobiliário


F - Biológica
- Animal
- Vegetal
- Humana

Os modelos de classificação mais populares são:

- Classificação UNSPSC (Universal Standard Products and Services Classification): Classifica os itens dentro de ramificações, seguindo uma hierarquia de importância numa árvore baseada na natureza dos materiais.

- Classificação NCM (Nomenclatura Comum do Mercosul): Baseada no "Sistema Harmonizado de Designação e Codificação de Mercadorias" para facilitar as transações entre Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, estabelecendo tarifas comuns. No Brasil a NCM está conjugada com a tabela de incidência de impostos sobre produtos industrializados (IPI).

4. Procedimentos: Formalizam os procedimentos para orientar os processos de inclusão, alteração e exclusão de registros no cadastro central. Também são necessários procedimentos para manutenção das estruturas PDM, bem como para requisitar o cadastramento de novos materiais, a sincronização de dados e o saneamento de itens similares.

Encerrando, foi no sentido de esclarecer aos interessados pela organização dos cadastros no SCM que relacionamos os principais desafios que a IMAM Consultoria tem enfrentado em seus projetos de PDM, de modo que este processo não seja subestimado ou negligenciado, invertendo a triste constatação que temos observado nas empresas que ainda não perceberam a importância deste tema. Pense nisto, e acabe com as confusões.


Daniel Gasnier,
Diretor da IMAM Consultoria

domingo, 11 de julho de 2010

Cadeia de Valor e Cadeia de Suprimento

Cadeia de Valor e Cadeia de Suprimentos * Hélio MeirimO conceito de cadeia de valor formulado por Porter (1986) destaca a agregação de valor através da realização de atividades primárias e secundárias. Para Porter, não é possível entender a vantagem competitiva sem analisar a empresa como um todo. A análise da cadeia de valor busca enxergar a empresa como um conjunto de atividades inter-relacionadas que buscam agregar valor específico ao cliente. Segundo Chiavenato e Sapiro (2003), o conceito de cadeia de valor descreve as novas estruturas e processos com os quais as organizações procuram se preparar estrategicamente. Estes autores destacam ainda que a cadeia de valor é um modelo que descreve como um produto se movimenta desde a etapa da matéria-prima até o consumidor final, sendo que o objetivo é adicionar o máximo de valor aos elos da cadeia de maneira menos dispendiosa possível. Para Simchi (2003) o valor ao cliente é o indicador da contribuição de uma empresa ao seu cliente, através da oferta de seus produtos e serviços a estes. Ele destaca que o gerenciamento eficaz da cadeia de suprimentos é fundamental para que uma empresa supra as necessidades dos clientes e ofereça a estes um valor agregado. As atividades que geram valor podem ser agrupadas em atividades primárias e atividades de apoio, e podem ser explicadas da seguinte forma: a) Atividades PrimáriasLogística Interna: atividades relacionadas com o manuseio de materiais, armazenagem e controle de estoques utilizadas para receber e disseminar os insumos de um produto. •Operações: atividades necessárias para converter os insumos fornecidos pela logística interna na forma de produto final. • Logística Externa: atividades relacionadas com a coleta, armazenagem e distribuição física do produto final para o cliente. • Marketing e Vendas: atividades concluídas para fornecer os meios que permitam que os clientes adquiram os produtos e induzam a adquiri-los. • Serviços: atividades destinadas a realçar ou manter o valor de um produto b) Atividades de ApoioSuprimento de serviços e materiais: atividades realizadas visando a compra dos insumos necessários à fabricação dos produtos, bem como ativos fixos – máquinas, equipamentos de laboratórios, equipamentos e materiais de escritórios e edificações. • Desenvolvimento tecnológico: atividades realizadas com o objetivo de melhorar o produto e os processos utilizados em sua fabricação. Assume várias formas, como equipamentos de processo, pesquisa básica, design do produto e procedimentos de serviços. •Gestão de Recursos Humanos: atividades relacionadas com recrutamento e seleção, admissão, treinamento, desenvolvimento e remuneração do pessoal. • Infra-estrutura da organização: inclui atividades necessárias ao apoio total de toda a cadeia de valor como direção geral da organização, planejamento, finanças, contabilidade, apoio legal e relações governamentais. A partir da infra-estrutura, a organização tenta identificar de forma eficaz e consistente as oportunidades e ameaças externas, os recursos e capacidades e fornecer apoio às competências essenciais. É importante ressaltar que, o sucesso da organização, depende não apenas da excelência do trabalho de cada departamento isoladamente, mas principalmente da coordenação e integração destes, logo a importância das empresas buscarem entender, estudar e otimizar as suas cadeias de suprimentos buscando a inclusão dos fornecedores da organização, os fornecedores dos fornecedores, os vários elos da cadeia de distribuição, parceiros, subcontratados e outros.

Helio Meirim